quarta-feira, 21 de junho de 2017

O Sino da Igreja.



Naquela noite, como de costume, a menina deitara-se na cama e adormecera... Não fazia ideia da aventura que viveria... O entrelaçar-se do tangível com o intangível. Ninguém entendeu o que acontecera. A criança sumira do quarto... Da casa... Nesse instante seus pais entraram em desespero. O que marca cidades pequenas não são os seus limites... A solidariedade entre seus habitantes... Nisso reside toda a diferença entre localidades do interior e metrópoles. O povo se dividira em pequenos grupos... Nunca havia acontecido fato similar nos arredores... A garota precisava ser encontrada antes do raiar do dia. Nós podemos imaginar o desespero dos pais... O que poderia ter acontecido?!... Ninguém sequer ousara levantar alguma suposição... A criaturinha era conhecida por sua peraltice... Nós sabemos como as crianças levadas nos surpreendem. O tempo ia passando e a noite escura e fria nunca seria um obstáculo para aquela gente afetuosa e obstinada... A guria nunca fora tão longe nas peripécias... Naquela situação de pânico havia fé nas pessoas. O desenrolar do ocorrido, até hoje, é um grande mistério que provoca curiosidade e um calafrio em quem toma conhecimento... Nesse frenesi da busca, as dúvidas eram muitas... A população estava comovida e perplexa. Nisso alguém gritou pedindo silêncio e atenção... O sino da igreja começara a soar muito suavemente... Nada mais fora do normal poderia acontecer e todos ficaram petrificados. A cidadezinha possuía uma única igreja matriz... No centro, na praça, na vizinhança da desaparecida... O som tinha horas e ocasiões certas para ecoar sempre. Nada parecido jamais ocorrera outrora no lugarejo. A única direção para todos tornara-se a daquela capela. No coração de todos a esperança se misturara com o espanto. O padre fora acordado na casa paroquial. Naquele momento entre a ansiedade e a aflição daquela gente a única alternativa seria ir averiguar o mistério. Nunca aquele povo vivera algo parecido. O sacerdote ao subir, ao topo pela escadaria em caracol, e chegar ao local, naquele momento, que parecera uma eternidade, perdera a respiração por um instante... A pequenina visitante tentava, desesperadamente, conseguir badalar o enorme sino... Nunca conseguiria ser localizada de uma outra forma. O alívio e surpresa de todos era indescritível... "Ela está aqui; ela está aqui."... Gritavam todos... "Mas como ela veio parar aqui?!"... Se perguntavam. Era de praxe todas as luzes serem apagadas e todas as portas serem fechadas, repetia o responsável incrédulo. Mas todos puderam ver com os seus olhos e constatar o ocorrido... Ela fora encontrada com seu pijaminha e meias... Era um enigma que ninguém nunca conseguiu desvendar... Ela também jamais entendera, mas ela era eu e eu sou ela, por isso não tenho outra alternativa a não ser acreditar.

Anna Mattos.

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