quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O Próximo...




Hoje acordei com uma lembrança muito antiga... Logo comecei a refletir sobre "O Próximo"...
Jesus Cristo nos ensinou que devemos amar a DEUS sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos...
O que esquecemos, por vezes, é que nós também somos "O Próximo" de outrem...
Então vamos remexer em minhas recordações de infância?!
Sempre fui muito medrosa quando criança... Tudo me aterrorizava... Até contos banais...
Era domingo... Já chegara a noite e com ela a sua escuridão...
Estava com a família, na sala, a assistir um programa de cunho jornalístico, mas que trazia algum entretenimento...
Eles lançaram uma série de contos de suspense... Não me recordo se aquele fora o primeiro...
Como sempre, eles recomendaram que retirassem do recinto crianças abaixo de determinada idade... Já era maior que o limite explicitado...
Só que não imaginara que aquele pequeno episódio me marcaria tão profundamente...
No começo pareceu interessante... Daquelas coisas que quando nos prendem no início não nos deixam mais desistir até o desfecho...
Começava com um homem, muito bem vestido, embora meio sinistro, tocando a campainha de uma casa...
Dentro havia um casal em conflito devido aos problemas financeiros que estavam enfrentando juntos...
Quando escutaram o som, os ânimos se acalmaram e atenderam ao estranho...
Ele perguntou se estava na residência do Sr. e Sra. X, ao que obteve, de pronto, a confirmação...
Indagado sobre do que se tratava ele pediu que o casal o convidasse para entrar na casa que lhes explicaria...
Foi um momento tenso (só depois pudemos saber por que o convite era "obrigatório")... O casal, meio apreensivo, o convidou e, prontamente, ele adentrou no recinto...
Educadamente o convidaram para se assentar no sofá e dizer a que veio... Ele, muito calmamente, assentou-se e colocou a maleta que trazia consigo no colo...
Surpreendeu o casal quando falou que estava ciente dos problemas de dinheiro que os estava atormentando... Disse-lhes que trazia a solução para o problema, mas o casal teria que tomar uma decisão...
Abriu a maleta e o casal pode contemplar o conteúdo maravilhado... Estava, completamente, recheada de dólares... O desconhecido informou a quantia exata: um milhão de dólares... Convertido em moeda nacional, um montante considerável que organizaria a vida deles para sempre...
Ambos ficaram intrigados e quiseram saber o que tinham que fazer em troca desse generoso presente... O homem lhes mostrou um botão vermelho na maleta e lhes explicou as regras...
Bastava um dos dois apertar o botão e o dinheiro seria deles, porém, em algum lugar do mundo, alguém morreria... Eles ficaram em choque...
Eles começaram a dialogar entre si e indagaram o cavalheiro de preto sobre quem poderia morrer... O homem lhes garantiu que seria uma pessoa que eles não conheciam...
Após isso disse-lhes que não tinha pressa e que voltaria no dia seguinte para a resposta... Eles tinham 24 horas para decidirem...
Se despediu, educadamente, e se retirou...
Logo recomeçou a discussão entre o casal aturdido... O homem demonstrando apreensão e a mulher tentando o convencer com vários argumentos plausíveis...
Ela dizia que talvez fizessem algo de bom para alguém que estava sofrendo com alguma doença incurável... Poderia ser um doente terminal de câncer... Alguém em coma devido a um grave acidente... Citou uma pessoa idosa, que já havia vivido por demais e estava enfadado de tanto viver...
O esposo, relutante, dizia que poderia ser uma criança, uma mãe, um pai que faria falta à família... Demonstrou medo e tentou dissuadir a esposa daquela ideia que a fascinava...
Naquela noite não dormiram tamanha a ansiedade sobre a decisão... Enfim ela o convenceu que aquilo seria o único jeito de resolver seus problemas...
Exausto ele deixou que ela tomasse a decisão...
No dia seguinte, no mesmo horário, soou a campainha e eles entreolharam-se... O homem estava lá conforme combinado... Novamente solicitou o convite para entrar e eles o fizeram...
Ao perguntar a decisão do casal logo percebeu que havia apreensão por parte do marido... Tornou a expor as regras do acordo... Disse que apenas um deles dois poderia apertar o botão... A mulher, prontamente, ofereceu-se...
Sentaram... Ele abriu a maleta sorridente... A mulher apertou o botão vermelho sem exitar... Em seguida, recebeu todo o conteúdo da maleta... Estava radiante de felicidade...
O homem enigmático fechou a maleta... Se colocou de pé... Despediu-se cordialmente dos dois...
Ao sair, ele virou e fitou-os nos olhos... Falou, mansamente, que agora iria fazer uma outra visita... Mas que eles ficassem despreocupados, sorrindo cinicamente com discrição... Explicou que a pessoa que visitaria jamais havia os conhecido...
O casal entendera, finalmente, que aquela era uma experiência sobrenatural... Que aquele homem estranho de preto era o próprio Satanás... A mulher deixou o dinheiro cair no chão e começou a chorar... O desespero tomou conta dos dois... O homem se foi... A porta se fechou... Um vento gelado percorreu o ambiente... Agora, para aquela mulher, era só esperar o momento de morrer... E seria breve... Ela seria "A Próxima" desconhecida de alguém em algum lugar do mundo.

Anna Mattos.

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