segunda-feira, 14 de março de 2016

Meu Pai...




Ele fora um homem muito belo e desejável,
Possuindo um belo par de olhos azuis e cabelos loiros,
Faz o tipo que agrada a muitas mulheres,
Prefiro os latinos de olhos e cabelos negros como a escura noite.

Ele fora um homem alto, forte e errante,
Possuindo uma sina amarga como a verde erva no campo,
É o primogênito... traumatizado me traumatizou,
Perdoei o menino que tentaram abortar, mas nasceu, para sofrer com a rejeição, a falta de atenção, a falta de amor da sua genitora e o ambiente inóspito que o levou cedo aos vícios.

Ele é um homem marcado, sofrido,
Possui o que chamam de sorte,
É o bambu que enverga, mas não quebra,
Privilegiado com o amor da minha mãe, foi um tolo em optar pela boemia, pelas noites nos bares, nos prostíbulos, na ilusão.

Construiu, junto com seu genitor, uma fazenda produtiva, mas dela nunca gozou os frutos, as flores, tampouco reconhecimento,
Sempre vagando, sempre penando, sempre forasteiro,
Me fez chorar rios de lágrimas,
Não o odeio, o amo, é imperfeito, frio e distante, mas é meu pai.

Como educador jamais me deu sequer uma palmada,
Só um olhar sério lançado em minha direção me fazia tremer inteira,
Me deu gotas de amor, guardo no coração como tesouro,
Nossa relação é difícil, mas gostaria de tê-lo mais perto.

Com minha mãe casou-se e teve duas filhas, eu sou a primogênita, mas não a predileta,
Sem noção do estrago teve filhos mundo afora,
O melhor presente que dei a ele, um exemplar da Bíblia Sagrada, soube que atirou longe, revoltado, chamando de porcaria,
Não sou DEUS para julgar e exemplar ninguém, mas o mal que me fez sempre tentei pagar com o bem.

As marcas dos traumas estão em mim,
Brigas, gritarias, ciúmes, traições, violência,
Tudo isso me fez ser quem eu sou, imperfeita, mas extremamente humana,
Devo a minha vida aos meus genitores, eles ficaram me devendo amor.

As águas não voltam a correr no mesmo lugar,
Brinquedos e doces não são tudo que crianças precisam,
Tudo passa, a vida sempre segue seu curso,
DEUS abençoe a vida desse homem, que nasceu para ser meu pai.

Anna Mattos.





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