sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Minha Mãe.




Hoje é o dia em que ela partiu há trinta e quatro anos atrás...
Era tão jovem, tão bela e tão sábia...
Mulher corajosa, decidida, especial...
Não temeu a doença, não temeu a morte, mas temeu nos deixar...
Suas meninas, suas filhas, sua vida...
Éramos pequenas, frágeis, delicadas...
Nos colocou em um lugar seguro antes da partida...
No seio da sua família, que amava e que a amava...
Nós fomos criadas com muito amor, muito zelo, muita generosidade...
Me deixou joias, mas muito mais que isso, saudades, silêncio e ausência...
Havia uma herança maior que só o tempo me revelou...
Seu cheiro de flores nunca se perdeu com o passar dos anos...
Sua imagem, seu sorriso, seu olhar...
Sua alegria, seu cantarolar em francês, seus poemas...
Sua voz macia, sua postura exemplar, seu jeito de educar com seriedade e cinto...
Dei trabalho a ela, mas o trabalho dela foi recompensado...
A ética permeia a minha estrada todo tempo...
A busca pelo conhecimento é contínua e prazerosa...
O seu nome é por todos reverenciado...
Os seus amigos nunca falam dela sem que lágrimas rolem pelos seus rostos...
O mundo ficou mais triste sem aquela menina, que, quando criança, tinha um ratinho branco de olhos vermelhos como bichinho de estimação...
O seu amor eros dedicou a um único homem: o meu pai...
Sua vocação de professora cumpria com extrema dedicação...
Sua jornada era pesada, sessenta horas semanais, mas era uma maga, porque tinha tempo para nós e para nosso lar...
Tinha tempo ainda, acreditem, para descobrir as minhas traquinagens, as minhas travessuras, que não eram poucas...
Às vezes, por tudo que ela dava conta, eu ficava imaginando que ela era uma fada ou então uma bruxa...
A fragilidade do seu estado enfermo não apagou seu brilho...
Ao abrir os olhos, todos os dias, lá estava ela: arrumada, maquilada, perfumada, enfeitada e em cima dos saltos altos...
A doença destruiu o seu sangue, mas não sua beleza, sua leveza, sua feminilidade, sua força, sua altivez...
No hospital se desesperou ao definhar e desfigurar-se no leito...
Nas visitas, constantes, presenciava seu choro e suas queixas: "meus cabelos estão caindo; minha pele está manchada; não consigo mais andar; não verei minhas filhas ficarem moças" etc, etc, etc...
Minha família tentava acalentá-la e encorajá-la, todos choravam depois escondidos...
Meu coração doía, era minha mamãe, aquela mulher, que estava ali morrendo de leucemia...
Minha vida ficou, indelevelmente, de ponta a cabeça...
Muito da minha força se foi junto com aqueles gemidos...
Nunca mais teria a minha "mainha" por perto...
Nunca mais o abraço, o beijo, o ensino, as ralhações, as surras...
Nunca mais sua mágica de tornar tudo perfeito, seu encanto, seu afeto...
Nunca mais avistaria aquela criatura única, ímpar, singular...
A amava, a odiava, a respeitava, a desafiava, a admirava...
A queria como rainha, como estrela, sempre brilhando...
A vida continuou o seu curso...
A 'MINHA MÃE', nunca conseguirei esquecer sequer por apenas um único segundo.

Anna Mattos.

2 comentários:

  1. Parabéns !!! Que Deus te cubra de sabedoria e inteligência, que você possa continuar nos presenteando com seus sentimentos e emoções expressos nos lindos versos que você compõe.
    Amo tu!

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  2. Muito obrigada. Amém. Também amo tu. Ma chère. ;)

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