quarta-feira, 23 de setembro de 2015

As Palavras.




As palavras sempre exerceram um fascínio sobre mim
Aos quatro anos de idade entrei na escola
Em meu primeiro dia de aula (para espanto de todos)
Descobriram que eu já sabia ler e escrever
Ninguém havia me ensinado tal feito
Descobrir as palavras foi uma brincadeira de criança.

Encantamento: resume a reação de todos
Eis uma surpresa da menina conhecida como esperta e sapiente
Assim que aprendi a falar já dava show na praça da cidadezinha do interior onde morava
Para o meu desespero de baby que só queria brincar
Minha família fazia questão de exibir meus dotes
Perguntas e respostas de diversos temas encantavam a minha plateia.

Isso me deixava muito irritada, porque queria estar com as outras crianças
Impaciente respondia as perguntas de olhar fixo em meus amiguinhos
As brincadeiras não cessavam, e eu ali presa no colo
Ficava aborrecida com aquelas pessoas me fazendo tagarelar
Responder as perguntas tornara-se uma tortura
Fazia, automaticamente, na esperança da tão sonhada liberdade.

Os brinquedos e os livros me agradavam igualmente
O meu desenvolvimento deu-se tão naturalmente, tão normalmente
Até aquele ingressar na pré-escola ninguém percebeu minha evolução
Meus pais jamais tiveram tempo para conhecer o meu prodígio
Sabiam que eu era uma garota inteligente, mas não "estranha"
Junto de meus coleguinhas sempre fui um E.T.

Um dez nunca me trouxe alegria
Um nove vírgula qualquer número me trazia desespero e desalento
A menina que nunca podia errar sofria demasiadamente quando errava
Levar um boletim brilhante para casa era praxe
Também receber elogios pela minha desenvoltura
Lamento que minha corda tenha sido esticada demais, e hoje não seja a sombra do que já fora um dia.

Anna Mattos.

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