quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Fundamentos Metodológicos da Investigação: as complexidades.



Cosmos. Nasa.

A Epistemologia da Complexidade.

Ao dizer que algo é "complexo", não explica-se, mas assinala-se uma dificuldade em explicar-se. Para Edgar Morin não existe uma complexidade e sim "algumas complexidades", cuja origem tentarei agora elucidar.

PÓLO EMPÍRICO: baseado apenas na experiência ou na prática e não no estudo ou na ciência gerando dificuldades empíricas. Ex: "Efeito Borboleta".

PÓLO LÓGICO: coerente, racional, que raciocina com exatidão gerando dificuldades lógicas. Ex: água nos estados - sólido - líquido - gasoso.

A complexidade aparece quando há simultaneamente dificuldades empíricas e dificuldades lógicas. Ex: TRANSCENDENTE.

"Todas as coisas são ajudadas e ajudantes, todas as coisas são mediatas e imediatas, e todas estão ligadas entre si por um laço que conecta umas às outras, inclusive as mais distanciadas. Nessas condições considero impossível conhecer o todo se não conheço as partes." Pascal

PRIMEIRA COMPLEXIDADE: Nada está realmente isolado no Universo e tudo está em relação. Ex: GLOBALIZAÇÃO.

Atente-se para a proposição: Não só uma parte está no todo, como também o todo está na parte.

Exemplos:

* Genética - célula - corpo.

* Cosmos - átomo de carbono - partícula do corpo.

Cada indivíduo numa sociedade é uma parte de um todo, que é a sociedade, mas esta intervém, desde o nascimento do indivíduo, com sua linguagem, suas normas, suas proibições, sua cultura e seu saber. Conclui-se que cada parte conserva sua singularidade e sua individualidade, mas, de algum modo, contém o todo.

Segundo Morin "Na escola aprendemos a pensar separando... [Daí] Nosso pensamento é disjuntivo e, além disso, redutor: buscamos a explicação de um todo através da constituição de suas partes."

Não vive-se sem ideias gerais concernentes à natureza do homem, da vida, da sociedade. Não pode-se renunciar as perguntas básicas dos seres humanos pensantes, que olham para um céu estrelado; dos cidadãos à respeito da melhor sociedade ou, pelo menos, as "menos más":

De onde viemos?
Qual o sentido da vida?

Conforme Morin "O paradoxal é que essa ciência moderna, que tanto contribuiu para elucidar o cosmos, as estrelas, a bactéria e, enfim, tantas coisas, é completamente cega com respeito a si mesma e a seus poderes; já não sabemos para onde ela nos conduz."

Quando cremos ver a realidade; na realidade vemos o que o paradigma nos pede para ver e ocultamos o que o paradigma nos impõe a não ver.

Hoje, cabe-nos a pergunta:

COMEÇOU UMA REVOLUÇÃO PARADIGMÁTICA?!

Acabando com o mundo perfeito de Descartes, Newton e Laplace, dentre outros, sabe-se o nosso universo, como fruto de uma dialógica de ordem e desordem, que produz todas as organizações existentes. Afinal, todos os objetos que conhecemos são sistemas, ou seja, estão dotados de algum tipo de organização. Logo, a organização é o que liga um sistema, que é um todo constituído de elementos diferentes encaixados e articulados.

Morin dirá: "Devemos, pois, trabalhar com a desordem e com a incerteza, e damo-nos conta de que trabalhar com a desordem e a incerteza não significa deixar-se submergir por elas; é, enfim, colocar à prova um pensamento energético que os olhe de frente. Hegel dizia que o verdadeiro pensamento é o pensamento que enfrenta a morte. O verdadeiro pensamento é o que olha de frente, enfrenta a desordem e a incerteza.". Morin dirá ainda mais um pouco: "... a sociedade é um todo cujas qualidades retroagem sobre os indivíduos dando-lhes uma linguagem, cultura e educação. O todo, portanto, é mais que a soma das partes. Mas, ao mesmo tempo, é menos que a soma das partes, porque a organização de um todo impõe constrições e inibições às partes que o formam, que já não têm tal liberdade... As sociedades humanas toleram uma grande porção de desordem; um aspecto dessa desordem é o que chamamos LIBERDADE (grifo meu). Podemos então utilizar a desordem como um elemento necessário nos processos de criação e invenção, pois toda invenção e toda criação se apresentam inevitavelmente como um desvio e um erro com respeito ao sistema previamente estabelecido. Vemos aqui como é necessário pensar a complexidade de base de toda realidade vivente... Não podemos separar o mundo que conhecemos das estruturas de nosso conhecimento.".

Racionalidade e magia coexistem nas sociedades. A magia existe até mesmo no interior de nossa racionalidade. Daí a necessidade indelével do antropólogo situar-se a si mesmo no mundo em que está, para tratar de compreender o mundo totalmente alheio que vai estudar. Para encontrarmos um meta-ponto de vista necessitamos conhecer outras sociedades:

* Estudar as sociedades do passado;
* Imaginar as possíveis sociedades do futuro;
* Tratar de estabelecer confrontações de maneira a conseguir descentrar-se.

Não há um lugar possível de onisciência. Mas o que se pode fazer para evitar o relativismo ou o etnocentrismo total é edificar meta-pontos de vista.

A disjunção que vivemos nos impõe sempre uma VISÃO MUTILADA.

HOMO SAPIENS x HOMO DEMENS

Morin radicaliza: "... a ciência é ambivalente... pode tanto ser benéfica para humanidade como destruí-la."

O QUE É UMA VIDA SENSATA?!

"Também temos um pensamento simbólico, mitológico, mágico... Não se pode suprimir a parte dos mitos, as aspirações, os sonhos, a fantasia." Morin

"Somos feitos da matéria dos sonhos." Shakespeare

"Cada ser, inclusive o mais vulgar ou anônimo, é um verdadeiro cosmos. Não só porque a profusão de interações em seu cérebro seja maior que todas as interações no cosmos, mas também porque leva em si um mundo fabuloso e desconhecido." Morin

VIVEMOS A ERA PLANETÁRIA.

A política é multidimensional (complexidade planetária).

Os cuidados que mais devemos ter, nesse momento, é com os FUNDAMENTALISMOS e XENOFOBISMOS.

Lembrem-se sempre:

PROGRAMA (pensamento simplificante) ≠ ESTRATÉGIA (pensamento complexo).

CONCLUSÃO: O pensamento complexo não é o pensamento onisciente.

Autora: GUSMÃO, A. K. de O. Módulo: Prática de Ensino - 2007. Teóloga. Professora. Pós-graduada em Teologia; em Cultura; em Metodologia do Ensino de Filosofia e em Metodologia do Ensino de Sociologia.

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