sábado, 25 de julho de 2015

Continuando a desvelar-me: matei, roubei e muito mais... E quem não "já"?! PARTE II




... Já matei... mas só em pensamento de muito curta duração.
Já roubei... uma bala de hortelã (não por não poder tê-la "legalmente"), mas como uma forma de retaliação, na infância. Naquela sexta-feira que nunca consegui esquecer... pela manhã havia ido à escola como costumeiramente... pela tarde (como era hiper-ativa e minha mãe precisava enclausurar-me para conseguir trabalhar em paz - coitada - jornada tripla como professora) tinha ido à banca (todo o problema consistia na falta de necessidade do tal reforço escolar), onde, já com as tarefas escolares concluídas sem ajuda nenhuma, ficara inquieta ao ver a dificuldade dos colegas... mas o pior ainda estava por vir... naquele dia um dos garotos (hoje médico), teve dúvida de quanto seria o resultado de 0 + 0... a "professora", prontamente, respondeu: 1... eu, muito indignada, retruquei: não, zero mais zero sempre será zero e nunca um... a mulher, sem conhecimento e sem humildade, teimou: é um e pronto... o menino, que sempre confiou em mim, relutou em anotar o resultado da operação... (graças a DEUS que ele relutou, porque hoje ele opera pessoas em centros cirúrgicos)... naquele momento foi obrigado a escrever a resposta errada... eu fiquei, sem amenizar a coisa, e n d i a b r a d a... assim que ela afastou-se do local... quebrei algo que ela gostava muito... danifiquei com uma lâmina outra coisa muito valiosa... ainda não satisfeita peguei a bala sem pedir e chupei... só não contava que a empregada da casa estava a espreitar-me e tão logo pode dedurou-me... como de praxe, voltei para casa com um "bilhetinho" para a mamãe... eu não precisava ler o que estava escrito... lógico que era dia de surra... perambulei pela praça até o anoitecer... com o papai em casa as surras eram mais amenas... ele nunca me bateu... não tinha jeito, eu precisava encarar... ao chegar, fui logo indagada sobre o motivo do atraso... sem uma única palavra, e ainda com o doce-amargo gosto da bala de hortelã na boca, entreguei o papelzinho... minha genitora leu em voz alta, que eu estava sendo expulsa do grupo de estudos pelos motivos listados... o "amigo" cinto lapeou-me de cima a baixo... nunca houve um cuidado em relação aos locais das chibatadas... naquela noite talvez não tão merecidas, afinal 0 + 0 = ZERO.
Já menti... se acaso dissesse que não, já estaria mentindo de novo... mas sempre encarei a mentira como algo medonho... nunca a tive como prática contumaz... meu lema: se DEUS está a ver algo, para que esconder de quem importa muito menos?!... modéstia a parte, o meu grau de inteligência me dá na omissão um escape para o que não quero revelar.
Invejar? Nunca! Inveja é para medíocres... seres desprezíveis que vivem no limbo... possuo asco por esse sentimento abjeto, que é inerente aos fracassados, aos perdedores, que já desistiram de alcançar o êxito... invejada, sempre fui... mas finjo não perceber para não alimentar o infeliz que não quer o que é meu, quer mesmo é que eu não tenha... assim sempre acabo tendo mais... e eles menos... em tudo.
Vícios, não os tenho... os considero prisões e sempre fui, completamente, apaixonada pela liberdade.
Amigos, poucos... Inimigos, muitos... Motivo?! Excesso de sinceridade e, tato (para expor a mesma), absolutamente, nenhum... magoar sem querer... mas isso dói no outro... daí existem situações onde não consigo retroagir para não ser hipócrita... prefiro me calar... o dito fica pelo não dito... tem gente que não sabe crescer com as críticas... apodrece mas não amadurece... paciência.
Sonhos, incontáveis... muitos adormecidos... alguns mortos e enterrados... Pesadelos, acordados... Desejos, secretos... Taras, saudáveis... Sexualidade sem conflito: sempre gostei de homem, gosto de homem, espero, sinceramente, morrer gostando de homem... Quanto a quem possui gosto alternativo, desde que respeite a minha preferência, sem problema com amizades. As tenho. As respeito.
Fobias, inúmeras... você, caro leitor, nunca saberá o que significa o sofrimento de quem tem apenas uma, se nunca experimentou a sensação... enxergar uma barata como se fosse um dinossauro não é uma frescura... é doença... Doença do Medo... Respeite.
Relacionamentos amorosos um tanto quanto conturbados... dois casamentos... dois divórcios... o primeiro durou treze anos e me deu duas filhas maravilhosas... o segundo durou nove anos e me deu um aborto gemelar de um casal de bebês, devido à violência sofrida no decurso da gestação e anterior a ela, por parte do cônjuge... não valeu a pena... quanto às outras relações amorosas, acreditem: cada uma delas daria um romance com pinceladas de comédia e tragédia... eu ainda não encontrei "o" AMOR... ou "o" AMOR ainda não me encontrou... talvez já tenhamos nos cruzado nas esquinas da vida, mas não nos trombamos... não perdi a esperança... Quem sabe um dia?!... Paixões me seduzem tanto quanto chocolates... se o teor de cacau for elevado, elas duram mais, caso contrário, podem levar no máximo 72 horas e já me aborrecem... minha sorte é que não é todo chocolate que degusto... para tocar meus lábios, ele tem que seduzir meus olhos, meus ouvidos, meu olfato, meu tato, para só então alcançar meu paladar... meu lema é qualidade, não quantidade... isso se aplica a outras especiarias... não só comestíveis, mas no campo da cultura, por exemplo: músicas, literatura, filmes, arte, poemas, aromas, natureza (fauna e flora), dentre outros. (Continua...).

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