domingo, 8 de julho de 2012

O Homem que Morreu Ontem por Robson Lelles



"“E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas. E acharam a pedra revolvida do sepulcro. E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus”." (Lucas 24:1-3)

"“Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído; portanto eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro; porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá. Ai dos que querem esconder profundamente o seu propósito do Senhor, e fazem as suas obras às escuras, e dizem: Quem nos vê? E quem nos conhece? Vós tudo perverteis, como se o oleiro fosse igual ao barro, e a obra dissesse do seu artífice: Não me fez; e o vaso formado dissesse do seu oleiro: Nada sabe”." (Isaías 29:13-16)

Baseado em Fatos Reais...

"Sexta-feira, 10 de abril, pela manhã, abrimos a despensa e tivemos uma profunda sensação de vazio... Na geladeira, uma solidão fria nos alertava para o fato que era preciso visitar o supermercado mais próximo e resolver de vez aquele problema que se anunciava para o feriado da Páscoa. Programamos a visita para o dia seguinte, imediatamente após o ensaio do Ministério de Louvor que integramos na PIB em Inhaúma.

A cidade semi-abandonada por seus moradores nos fez pensar numa tranqüilidade há tempos não experimentada, sensação essa logo deixada de lado ao adentrarmos o supermercado lotado, com filas em todos os caixas. Como não podíamos adiar aquele compromisso, respiramos fundo e entramos. O humor das pessoas passava longe do que seria de se esperar numa comemoração (“lembrar juntos”) que considero a mais importante do mundo cristão. A irritação imperava nos rostos, como que ignorando tão importante fato.

Finalmente chegara nossa vez de pagar pelas compras. A jovem no caixa suspirava a cada item passado no leitor ótico e computado no preço final. Enquanto lhe estendia o cartão de débito, ousei perguntar-lhe: “Sabe o homem que morreu ontem?” Seus olhos se esbugalharam, como que despertando da letargia provocada pela frustração de estar trabalhando em pleno feriadão: “Quem?”, perguntou, curiosa. “O homem que morreu ontem, morreu para te salvar, mas ressuscita amanhã, lembra”?, respondi-lhe. Os olhos da jovem mudaram do espanto para a alegria em frações de segundo, compreendendo o propósito da minha pergunta. Um sorriso muito franco surgiu no seu rosto. Ela então me devolve o cartão, visivelmente liberta daquele sentimento de frustração: “Feliz Páscoa, senhor. E obrigado por me lembrar”! Saí dali feliz. Nada indicava que ela fosse uma freqüentadora de igreja, mas a alegria inquestionável com que acolheu a boa nova da ressurreição de Jesus me deu a certeza que naquele coração uma promissora semente germinou.

Dali fui buscar meus dois filhos na loja de jornais e revistas que ocupa um espaço do prédio do supermercado, junto a outras lojas. Meu filho mais novo tinha nas mãos uma dessas revistas que vem com brinquedos de brinde e ao me ver, veio na minha direção, contente, explicando o conteúdo do seu achado. Uma senhora, certamente a gerente da loja, então me pergunta, muito séria: “É só esta revista, senhor”? Parei por um segundo para observar a sua expressão rígida, quase que aborrecida e então lhe estendi a revista, com a quantia suficiente para o pagamento.

Resolvi experimentar a mesma pergunta com ela: “Sabe o homem que morreu ontem”? Ela imediatamente franziu o cenho e devolveu: “Que homem”? Entreguei-lhe a mesma resposta: “O homem que morreu ontem, morreu para te salvar, mas ressuscita amanhã, lembra”? Então percebi que disparei um mecanismo de certa forma surpreendente, que veio na forma da seguinte réplica, acompanhada de batidas com a mão no peito: “Meu filho, eu celebro a ressurreição de Jesus todos os dias! Quem fica celebrando a morte de Jesus são esses outros aí! Eu sou evangélica, sabia”? Tive então a ousadia de perguntar: “Então, por que está tão aborrecida”? Foi como se um vento sacudisse aquela mente veterana. Sua expressão carrancuda caiu para algo mais melancólico e então transmutou para algo mais suave: “É mesmo...”, ponderou. Ela então respirou fundo, devolveu-me a revista numa sacola com o troco e um sorriso: “DEUS te abençoe, meu filho. Feliz Páscoa”! Ali eu quis entender que aquela senhora compreendera que não se pode comemorar a ressurreição de Jesus Cristo com o cenho franzido ou com declarações furiosas, ainda mais quando se confessa com a própria boca que “todos os dias” a comemora.

É impressão minha ou temos sido tão ativistas e tão menos amorosos ultimamente? Será que temos sido por demais estrategistas e simplesmente nos esquecemos de proclamar a simplicidade da boa nova de Jesus Cristo para os homens?"

"Que a boa nova de Jesus Cristo lave os nossos corações com rios de água viva. Amém." RL

Amém! AM

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