quarta-feira, 16 de maio de 2012

Entre tomates e jaboticabas - Robson Lelles



Entre tomates e jaboticabas

"Creio que todo obreiro tem o direito de reavaliar quais tarefas devam ser mantidas, remanejadas ou removidas de sua agenda na obra. No entanto, creio que deva haver um critério, especialmente quanto ao que se vai deixar de fazer, em função de quem ordenou que fosse feito - se a vontade humana ou o propósito divino.

Uma delas é a literatura. Escrever é semelhante a selecionar sementes no celeiro da Palavra. Escrever e publicar é semear as sementes selecionadas. Por analogia, quem semeia tem algumas alternativas, a partir de então:

Semear e cuidar do campo: regando, removendo as ervas daninhas, protegendo as sementes dos passarinhos, protegendo os brotos do sol forte e da chuva torrencial, até que venham as flores e em seguida os frutos, para que então os colha e deles usufrua. Colher frutos aqui demanda trabalho árduo e tem alto custo de manutenção. No entanto, aqui chora-se menos pela perda da colheita.

Semear e abandonar o campo: deixando que a Natureza se encarregue de selecionar quais sementes serão engolidas por pássaros e quais germinarão; quais serão cozidas pelo sol forte ou encharcadas pela chuva torrencial; quais brotarão e serão sufocadas por espinheiros ou morrerão de inanição devido à terra rasa e pedregosa, até que as restantes sobreviventes venham a florescer e em seguida frutificar, para que as pragas e animais maiores então selecionem quais frutos restarão para serem colhidos por quem quer que esteja passando e atente para os frutos ali pendendo, em tempo de colheita. Colher frutos aqui é arte da sorte e tem baixo custo de manutenção. Aqui não é justificável chorar pela perda de uma colheita da qual não se cuidou para que outro fosse o resultado.

De uma forma ou de outra, o semear gera frutos. Poucos ou muitos, mas gera. Já disseram, semear é opcional - colher é obrigatório. É certo que quem planta tomates os vê frutificar mais rápido e com bem menos trabalho do que quem planta jaboticabas. Talvez por isso - pelo trabalho e tempo necessários - o tomate seja mais barato que o mesmo peso em jaboticabas, que levam nada menos que 40 anos para começar a frutificar.

Portanto, quem semeia tomates não pode se surpreender com a rapidez com que os frutos surgem, às vezes antes mesmo que se esteja pronto para colhê-los - e se acabe por desperdiçá-los e perdê-los. Quem semeia tomates deve estar preparado para a rápida colheita demandada. Quem semeia vastas extensões de rápida colheita precisa de ajudadores ou perderá grande parte da safra. Também não pode demorar a colher ou verá a safra fenecer à medida que se adia a colheita.

Da mesma forma, quem semeia jaboticabas não deve reclamar da demora dos frutos. Talvez eles não lhe surjam em vida, mas somente para a fortuna dos seus descendentes. Quem semeia jaboticabas deve estar preparado para sucessivas podas, remoção de parasitas e fungos que crescem nos troncos da árvores, ano após ano, sem que uma frutinha sequer ecloda. Quem planta jaboticabas não pode se afastar muito tempo do pomar, ou cai na situação de abandono de campo, ou seja, um dia volta e constata que alguém tomou conta do pomar no lugar dele. Mas tanto esmero é sempre premiado. O certo é que os frutos vem e serão colhidos por alguém.

Quando se abraça o ministério da Palavra, abraça-se também a missão de multiplicar esta Palavra entre os povos da terra. Se em dado momento há profusão de pregadores, autênticos ou medíocres - e estes virão, é fato - deveríamos exultar o tanto que a Palavra já alcançou, ainda que com diversos entendimentos, sabores e dissabores. Paulo bem disse que importa que a Palavra seja pregada, ainda que de forma negligente, contanto que seja pregada.

Importa que a Palavra seja pregada via e-mail, nas praças, nos trens, nos ônibus, via Twitter, nos locais de trabalho, via blogs e webpages, via folhetinhos entregues de mão em mão pelas crianças nas ruas. Pergunte a essas crianças se elas se importam se aquele que recebeu o folhetinho vai realmente lê-lo ou amassá-lo e jogá-lo na calçada: a alegria está no distribuir dos folhetinhos a quem passa. Até porque folhetinhos largados nas calçadas já salvaram muitas vidas do inferno, não tenho dúvida quanto a isso.

Da mesma forma, a alegria do escritor deve ser escrever e publicar - não se preocupar se alguém vai ler agora ou daqui a dez anos aquilo que foi publicado. Assim como não se acende uma lamparina - palavra tão na moda ultimamente - para coloca-la debaixo de um cesto, mas para coloca-la num lugar alto, onde os que caminham na treva possam vê-la e por ela se orientem, assim não se escreve um sermão ou ilustração para ser guardado numa pasta ou numa gaveta, mas para publica-la e torna-la disponível a quem dela necessita.

Irmãos, há mais de cinco anos fui convidado a escrever artigos de base cristã para este site cristão. Desde então, não deixo de publicar os textos, sem a menor preocupação sobre quem está lendo ou vai ler. Apenas prossigo escrevendo artigo após artigo, conforme o Espírito me convoca. Vez por outra, leitores me mandam e-mails agradecendo pelo alívio, conforto ou orientação recebidos através de um artigo que foi publicado lá atrás e eu já tinha mesmo me esquecido. Essas raras mensagens fazem valer 40 anos de espera pela brotação da jaboticaba. E olha que eu nem sou um apreciador de jaboticabas (as de verdade, não as textuais)."

Amado obreiro, semeie sempre - esta é a nossa missão. Os frutos virão, no tempo certo.

E que DEUS nos abençoe e Seu Santo Espírito nos console, pois Seu Filho já nos redimiu. Amém.

Robson Lelles é executivo em Estratégia e Tecnologia, teólogo, professor, administrador, escritor e músico. Contatos: (21) 8858-5492 - www.robsonlelles.com - falecom@robsonlelles.com

Sou uma fã incondicional desse grande homem de DEUS nos dias atuais...

Anna Mattos

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