sábado, 14 de janeiro de 2012

A psicologia dos psicólogos

(...) somos obrigados a renunciar à pretensão de determinar para as múltiplas investigações psicológicas um objeto (um campo de fatos) unitário e coerente. Consequentemente, e por sólidas razões, não somente históricas mas doutrinárias, torna-se impossível à Psicologia assegurar-se uma unidade metodológica. Por isso, talvez fosse preferível falarmos, ao invés de "psicologia", em "ciências psicológicas". (...) Por isso talvez fosse preferível falamos, ao invés de "psicologia', em ciências psicológicas". Porque os adjetivos que acompanham o termo "psicologia" podem especificar, ao mesmo tempo, tanto um domínio de pesquisa (psicologia diferencial), um estilo metodológico (psicologia clínica), um campo de práticas sociais (orientação, reeducação, terapia de distúrbios comportamentais etc.), quanto determinada escola de pensamento que chega a definir, para seu próprio uso, tanto sua problemática quanto seus conceitos e instrumentos de pesquisa. (...) não devemos estranhar que a unidade da Psicologia, hoje, nada mais seja que uma expressão cômoda, a expressão de um pacifismo ao mesmo tempo prático e enganador. Donde não haver nenhum inconveniente em falarmos de "psicologias" no plural. Numa época de mutação acelerada como a nossa, a Psicologia se situa no imenso domínio das ciências "exatas", biológicas, naturais e humanas. Há diversidade de domínio e diversidade de métodos. Uma coisa, porém, precisa ficar clara: os problemas psicológicos não são feitos para os métodos; os métodos é que são feitos para os problemas. (...) Interessa-nos indicar uma razão central pela qual a psicologia se reparte em tantas tendências ou escolas: a tendência organicista, a tendência fisicalista, a tendência psico-sociológica, a tendência psicanalítica etc. Qual o obstáculo supremo impedindo que todas essas tendências continuem a constituir "escolas" cada vez mais fechadas, a ponto de desagregarem a outrora chamada "ciência psicológica"? A meu ver, esse obstáculo é devido ao fato de nenhum cientista, consequentemente, nenhum psicólogo, poder considerar-se um cientista "puro". Como qualquer cientista, todo psicólogo está comprometido com uma posição filosófica ou ideológica. Este fato tem uma importância fundamental nos problemas estudados pela psicologia. Esta não é a mesma em todos os países. Depende dos meios culturais. Suas variações dependem da diversidade das escolas e das ideologias. Os problemas psicológicos se diversificam segundo as correntes ideológicas ou filosóficas venham reforçar esta ou aquela orientação na pesquisa, consigam ocultar ou impedir este ou aquele aspecto dos domínios a serem explorados ou consigam esterilizar esta ou aquela pesquisa, opondo-se implícita ou explicitamente a seu desenvolvimento.(...) JAPIASSU, Hilton. A psicologia dos psicólogos. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago, 1983, p. 24-26.

6 comentários:

  1. Para elucidar essas questões do texto por mim publicado, indico o filme "Iha do Medo". Expetacular, do meu ponto de vista claro!

    Título original: (Shutter Island)
    Lançamento: 2010 (EUA)
    Direção: Martin Scorsese
    Gênero: Suspense
    Duração: 138 min

    Sinopse: 1954. Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) investiga o desaparecimento de uma pacientea no Shutter Island Ashecliffe Hospital, em Boston. No local, ele descobre que os médicos realizam experiências radicais com os pacientes, envolvendo métodos ilegais e anti-éticos. Teddy tenta buscar mais informações, mas enfrenta a resistência dos médicos em lhe fornecer os arquivos que possam permitir que o caso seja aberto. Quando um furacão deixa a ilha sem comunicação, diversos prisioneiros conseguem escapar e tornam a situação ainda mais perigosa...

    Se eu contar o final, fica sem graça.

    Prepare a pipoca e se delicie com essa obra prima.

    Bom final de semana!

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    1. Deu pra sobreviver a ele. Ainda estou aqui. Rsrsrs...

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  2. Já assisti 2 vezes e assistiria de novo. Cada vez que vc assisti descobre uma nova faceta. MARAVILHOSO!

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    1. Daí da vontade de assistir de novo, de novo e de novo. Rs...

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  3. Eu assistiria 1.000 vezes. Simplesmente expetacular. Ótima sugestão da Anna Mattos.

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