terça-feira, 3 de janeiro de 2012

MEDO NA PÓS-MODERNIDADE: O Desafio Nosso De Cada Dia... (Parte 1).

   Nos tempos modernos, vive-se uma odisséia que proporciona um alto nível de stress, provocando uma série de distúrbios que desencadeiam, muitas vezes, em doenças psicossomáticas, tais como as FOBIAS, que podem ser definidas como um distúrbio de ansiedade no qual se sente um medo irracional de um objeto ou situação específica, medos mórbidos, aversões intensas e inexplicáveis, destacando-se, dentre elas a FOBIA SOCIAL ou Transtorno da Ansiedade Social (DMS-IV) e a AGORAFOBIA (medo irracional quando se está longe de casa, em multidões, ou em situações de onde não se possa sair facilmente); o Transtorno ou Distúrbio Obsessivo Compulsivo (TOC ou DOC) caracterizando-se por pensamentos ou impulsos invasivos e incontroláveis como, por exemplo, medo de micróbios, que leva a pessoa a lavar as mãos sem parar; a ANSIEDADE que é um estado afetivo em que há sentimentos de insegurança e angústia, onde os distúrbios por ela desencadeados são generalizados caracterizando-se por sentimentos de pavor, medo ou apreensão, desproporcionais aos eventos; a DEPRESSÃO que é um distúrbio do humor marcado, principalmente, por uma enorme tristeza, cientificamente conhecida como DOENÇA DEPRESSIVA, cujo maior risco é o SUICÍDIO. Finalizando, falaremos sobre a SÍNDROME DO PÂNICO ou DOENÇA DO MEDO, que é um transtorno em que o corpo e a mente sentem um medo intenso e repentino.
   Começo propondo uma análise sobre a Pós-Modernidade, que segundo Küng (1993, p.15) é um "conceito... problemático", afinal "...expressa mais a indecisão do que a determinação para uma nova época mundial, a qual ainda não possui um nome próprio, mas que, ao final do século 20, torna-se cada vez mais consciente." Partindo do pressuposto que a Pós-Modernidade é uma tentativa de diferenciação entre a época em que se vive a a época da Modernidade, abordarei os dilemas do dia-adia pós-moderno do ser humano: suas relações com a família, o trabalho, a sociedade, a religião, a política e o seu "eu" interior.
   Também farei uma ampla abordagem das causas e conseqüências desse agente, que enche os consultórios dos especialistas, enriquece as indústrias farmacêuticas e congestiona os centros de terapias alternativas, destacando-se dentre elas as igrejas: o MEDO. Pode-se definí-lo como um sentimento de inquietação ante a vivência de uma ameaça real ou imaginária. Também conhecido como receio, temor ou pavor, ele é culpado por desencadear inúmeras doenças psicossomáticas. Daí a necessidade da investigação de suas origens, como se deu sua evolução ao longo dos tempos e suas variações em relação às diferentes culturas. Ao final, procurarei apontar caminhos para um resgate de valores que há muito foram deixados para trás, sugerindo uma reflexão ética e uma re-leitura do SAGRADO como meios, imprescindíveis, para alcançar-se uma vida plena.
   O MEDO tem sido o agente causador de inúmeros transtornos na vida do ser humano moderno. Torna-se, indelével, o diálogo sobre suas causas e conseqüencias e um esforço para se enxergar uma luz no fundo do túnel. Existem inúmeros tratamentos para amenizar seus efeitos, mas, a priori, deve-se descobrir os fatores que o provocam para tentar-se erradicá-los ou, ao menos, atenuá-los. O assunto será discutido, confrontando-se os pontos de vista paradigmáticos do mesmo, mediante análise psico-social, antropológica e teológica. O que provoca MEDO no ser humano pós-moderno? Sentir MEDO é sinal de fraqueza? Existe alguma imunidade contra o MEDO? O MEDO tem cura, ou os remédios e tratamentos são só paliativos? Qual o papel do teólogo frente à crise vivida pela sociedade pós-moderna?
   O final do século XX e o início do século XXI situará nosso debate no tempo e as sociedades capitalistas pós modernas serão o alvo para poder-se delimitar o espaço analisável.
   O ser humano é um ser social, portanto faz parte de uma sociedade, quando essa adoece, inevitavelmente, o seu corpo funcional adoece junto. Infelizmente o capitalismo criou a cultura do "ter" em detrimento do "ser". A mídia apela, incessantemente, ao consumismo. A tecnologia evolui a largos passos e deixa tudo obsoleto da noite para o dia, aumentando os índices de desemprego (máquinas substituem seres humanos), destruindo cada vez mais o nosso planeta (devastação dos recursos naturais, poluição do meio ambiente, dentre outros) e tornando as relações humanas cada vez mais frias e impessoais (amizade e amor virtual, por exemplo). O poder aquisitivo das massas não consegue acompanhar o fluxo dos modismos. As discrepâncias econômicas são imensas. Explode a violência em toda parte. A política deixou de cumprir seu papel tornando-se motivo de ceticismo e indignação para a grande maioria da população.
   Ao analisar-se a sociedade pós-moderna e os problemas que lhe são inerentes, verifica-se ser imprescindível uma reflexão sobre o tema para que juntos encontremos alternativas que mudem o quadro atual, pois esse é o principal responsável pelo desencadeamento das diversas doenças psicossomáticas oriundas do MEDO. A sociedade pós-moderna precisa de uma reestruturação de bases nos moldes: resgate do SAGRADO e dos valores que lhes são intrínsecos, ética do amor e do cuidado consigo e com o próximo, e, restauração e preservação da natureza mediante um modo de vida baseado na economia de desenvolvimento sustentável (não essa fictícia que nós estamos vendo por aí, mas uma real e urgente).
Sds,
Anna Mattos.  


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