quarta-feira, 19 de julho de 2017

Carta aos meus inimigos...


Inimigos conhecidos e desconhecidos: muito obrigada por existirem... Jamais conseguiria ter paz se não os tivesse... Graças dou por saber que tanto me odeiam... Isso porque eu sou eu simplesmente... Se não existissem certamente eu não seria eu... Porque quem à todos agrada não possui Identidade... Para sermos autênticos precisamos ter inimigos... Que nos apontem para o modelo do que nunca venhamos a ser... Que nos ensinem a sermos maiores e melhores... Que ratifiquem a existência de nossa personalidade, de nosso caráter... Que indiquem que estamos no caminho certo, sem pegar atalhos... Só a certeza de que tenho inimigos me motiva a continuar fazendo o que é aprazível, o que é essencial, o que é indelével, o que é o que faz a diferença, o que uma pessoa necessita para deixar marcas de que realmente viveu... Medo do que sentem por mim não conheço... Cada um dá aquilo que tem... Irei continuar dando o que tenho... Na contabilidade que já fiz, vocês são a parte fraca, porque a parte forte é composta pelos que me amam... São maiores em quantidade... São melhores em qualidade... Na verdade vocês acabam, sem querer... é lógico... me ajudando a evoluir, a crescer, a transcender... O amor sempre suplanta o ódio... O bem sempre venceu o mal... Tenho batalhas que não me abatem... A guerra já venci faz tempo... Porque ser lutadora já é ser uma vitoriosa... Me arrependo dos meus erros... Me orgulho dos meus acertos... Sou intensa e suave... Sou doce e amarga, vai depender unicamente do seu paladar... Sou fogo e água... Sou sim e não... Sou única... Sou uma menina no corpo de uma mulher... Sou flor perfumada... Sou fruto suculento... Sou céu com sol e lua... Sou mar com ondas e mansidão... Sou chuva que rega a terra seca... Sou vulcão em erupção que derrama a lava ardente pela montanha... Sou orvalho... Sou bruma... Sou silêncio... Sou trovão... Sou humana... Sou pecadora... Sou imperfeita... Sou também a guardiã de um grande coração.

Anna Mattos.

domingo, 16 de julho de 2017

Paula Fernandes - Sensações.

terça-feira, 11 de julho de 2017

O Internato de Freiras... O Copo, a Água, o Olho... O Caminho Rumo à Magia Branca e Negra... As Entidades... O Vodu.



Ela foi nascida e criada na Igreja Católica Apostólica Romana. Fora batizada. Fizera a primeira comunhão. Assistia às missas e se confessava com frequência.

Foi aluna interna em um renomado colégio de freiras, onde formou-se em docente. Naquela época Normalista.

Casou-se. Teve duas filhas. Em casa possuía um altar com os santos de sua devoção, incluindo a santa que originara seu nome. À eles rezava e acendia velas diariamente. A casa também era incensada. Os dias santos reverenciados.

Um dia a convidaram para uma sessão de mesa branca. Compareceu. Deu-se o início do seu ingresso no alto espiritismo, como o chamam, ou kardecismo. Ao chegar, no local, havia pessoas sentadas em volta de uma mesa coberta com uma toalha branca e no centro encontrava-se um copo com água. Com a sua chegada, a água do copo ferveu, instantaneamente, e tanto ela como todos os presentes, no ambiente, puderam ver um olho fitando-os de dentro do copo. Algumas pessoas se assustaram, outras não.

Depois desse acontecimento, não tardou o convite para o baixo espiritismo, como o chamam, ou candomblé (uma das suas variantes). Também fora aceito. Lá aprendeu mais artes de magia. O sacrifício de animais. As oferendas. Os trabalhos às entidades ou orixás. Os rituais. Mas ainda era pouco. Seu desejo por conhecimento, no ocultismo, e suponho por fortalecimento era insaciável e incansável. Ela queria mais.

O vodu foi seu próximo destino. Às vezes via quando ela manipulava os bonecos e as agulhas. Parecia brincadeira de criança. Hoje, adulta, lamento por ela ter "brincado" com fogo como "brincou". Repudio quem a levou ao encontro dessas práticas. Por coincidência (?!), essa suposta pessoa faleceu, exatamente, no dia do aniversário dela, após anos de falecida. Data de natalício do meu ex, por coincidência (?!).

Ela morreu. Jovem. Linda. No leito do hospital chorou arrependida do caminho que trilhou na bruxaria. Ela fora uma bruxa fora dos livros infantis que li. Aprendeu que o único caminho que leva a DEUS é Jesus Cristo. Compreendeu em meio à dor. Sofreu. Pediu perdão. Rogou misericórdia. Creio que foi perdoada. Mas as consequências do seu envolvimento no mundo das trevas pagou com muito sofrimento e a sua vida. Para trás a magia branca e negra. Fora lavada no vermelho carmesim do sangue vertido em uma cruz. Foi-se desse mundo embalada pelo Santo Espírito. Não estava lá. Mas vi a cena e nunca me esqueci. Como esquecer tua morte, minha mãe?!

Anna  Mattos.

domingo, 9 de julho de 2017

Nico Resende - Esquece e Vem.

John Legend - All of Me...

A Morte do Amor...



Cá estou acompanhada da minha solidão...
Lá fora está escuro e frio...
O silêncio da noite rasga o meu coração...
A vida se acaba no passar do tempo.

Cá estou acompanhada da minha solidão...
Lá fora o mundo segue o seu curso sem repetição...
O único ruído cá dentro é o da minha respiração...
A lua se esconde em meio à imensidão.

Cá estou acompanhada da minha solidão...
Lá fora há perigo nas curvas do caminho do não...
O adeus é repetido quando negação...
A constelação me abandona no tempo.

Cá estou acompanhada da minha solidão...
Lá fora está frio e escuro...
O amor sangra inexequivelmente em minhas veias...
A morte guerreia com a vida na Terra do coração.

Cá estou acompanhada da minha solidão...
Lá fora a noite reina soberana sem indecisão...
O silêncio do mundo é premonição de desgraça...
A brisa do mar anuncia o perigo que se agiganta nas ondas da ressaca.

Cá estou acompanhada da minha solidão...
Lá fora a Terra continua a girar sem nenhuma interrupção...
O céu dá sinal do adeus final... 
A morte do amor é real.

Anna Mattos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Meus Gêmeos...

João Victor & Anna Carolina

Parece que só casei pela segunda vez para viver um pesadelo.
No início era sonho, pois tive um marido adorável.
Despertava inveja em parentes, amigas, colegas, vizinhas, desconhecidas.
Me cercava de mimos e atenção.

Hoje ele não significa, absolutamente, nada para mim.
Um estranho com quem eu dividi o leito.
Às vezes sinto um arrepio gelado quando penso que dormi com o meu inimigo.
No final do casamento eu engravidei de gêmeos: um casal.

Penso que DEUS me fez sofrer um aborto espontâneo por sua misericórdia.
Não, aquele homem que seria pai dos meus filhos não era o meu marido.
Durante o passar dos anos ele foi se transformando em um monstro.
Meu esposo já não existia mais, no lugar um ser pervertido, perverso se manifestou.

Hoje consigo entender do que um psicopata e/ou sociopata é capaz de fazer.
Nada os afeta, não sentem amor nem ódio.
Uma pessoa frágil em suas mãos teria sucumbido.
A morte me visitou, mas como sempre brinco: sou feita de titânio.

Só chorei no dia que sofri a perda das crianças.
De lá para cá só faço agradecer por DEUS ter sido maravilhoso e ter me poupado.
Reagi, mas não foi nada fácil.
Muita medicação, terapia, oração.
Fiquei destruída por fora, por dentro.
Nada foi o que me tornei, uma morta viva, um zumbi, um espectro que causava pena às pessoas.

Só que como uma fênix, renasci das cinzas.
E uma fênix, voei para longe de tudo.
Do tempo em que fomos felizes nem lembro.
É que a perversidade manifestada pelo meu cônjuge, na época, aniquilou tudo.

Sinto que perdi um tempo precioso da minha vida com alguém desprezível.
Muito lamento por esse erro, mas também muito aprendi com ele.
Fica a lição para toda vida.
Nada acontece por acaso, tudo tem um motivo.

Ontem um casamento perfeito.
Hoje uma grande decepção.
Amanhã uma experiência.
Eternamente um aprendizado.

Anna Mattos.